Caco Barcellos


Caco Barcellos, ou Cláudio Barcelos de Barcellos, nasceu na Vila São José do Murialdo, na periferia de Porto Alegre (RS), em 5 de março de 1950. Formou-se em Jornalismo em 1975, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Conhecido por seu trabalho em Jornalismo Investigativo, vem realizando documentários e grandes reportagens sobre injustiça social e violência. Antes de se tornar um dos jornalistas mais conhecidos do Brasil, ele atuou em diversas profissões como, por exemplo, taxista.
Caco Barcellos atualmente apresenta o programa Profissão Repórter da Rede Globo.

Sua primeira experiência na profissão – quando ainda era aluno do curso de Matemática, que abandonou – foi na redação do jornal do centro acadêmico da faculdade. Tempos depois, junto com toda a equipe do periódico, foi convidado para integrar a redação do jornal Folha da Manhã (RS), do Grupo Caldas Júnior, onde trabalhou durante três meses.


Já a primeira matéria assinada surgiu de uma distração. Trabalhava como taxista quando foi fazer estágio no jornal. Coincidentemente, o ponto de táxi ficava na mesma rua do periódico. Com medo de ser demitido, evitava ser visto ali pelos colegas de redação. Um dia, não escapou: foi flagrado por um editor da Folha. Achou que tinha perdido o emprego, mas, ao contrário, recebeu como pauta contar como era a vida e os macetes daquele profissional. A matéria, escrita com conhecimento de causa, foi identificada com o seu nome quando impressa.

Depois que se formou, tentou a sorte em São Paulo (SP). De cara, conseguiu vender matéria para matéria de primeira página do Jornal da Tarde, sobre terremoto que acabara de presenciar na Guatemala, no qual morreram 20 mil pessoas. Depois, cobriu férias na redação do jornal, então comandado por Marcos Faerman, e trabalhou na TV Guia, da Editora Abril.

Decidiu, então, viajar pelo mundo, o que fez nos cinco anos seguintes. No período, colaborou com a imprensa alternativa, escrevendo para o Coojornal (RS), da Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre – da qual foi um dos criadores – e para a revista Versus (SP), que publicava reportagens sobre lutas populares na América Latina. Também enviava matérias como freelancer para veículos da grande imprensa, como o próprio Jornal da Tarde.

Em 1979, entusiasmado com reportagens sobre as ações dos sandinistas contra a ditadura de Anastazio Somoza, decidiu viajar para a Nicarágua e seguir de perto a ofensiva dos guerrilheiros. Acompanhou o dia a dia de um comando sandinista e, em seguida, escreveu um livro sobre o assunto, Nicarágua, a Revolução das Crianças (Mercado Aberto, 1982).

Em 1980, escreveu para as revistas IstoÉ e Veja, em São Paulo. No ano seguinte, foi aprovado em um teste e começou a trabalhar na TV Globo, integrando a equipe de repórteres do Globo Repórter. Em 1983, foi contratado para colaborar em um projeto de TV da Editora Abril. Retornou à TV Globo em 1984, tornando-se repórter especial na redação de São Paulo.

Em julho de 1995, o Globo Repórter exibiu uma matéria na qual Caco Barcellos identificou, num cemitério clandestino em São Paulo, os corpos de oito vítimas da repressão política, consideradas "desaparecidas" durante o regime militar. A reportagem havia sido realizada pelo próprio repórter e pelo editor Ernesto Rodrigues e a exibição foi decidida, depois de dois anos de investigação, por Evandro Carlos de Andrade, que acabara de assumir a direção da Central Globo de Jornalismo. O trabalho ganhou o Prêmio Caixa Econômica Federal de Jornalismo Social.

Em março de 1996, ao lado do jornalista Fritz Utzeri, Caco Barcellos investigou durante três meses o episódio do atentado ao Riocentro, ocorrido em 1981. Mais de 50 pessoas foram entrevistadas, incluindo testemunhas ignoradas pelas autoridades militares na época. Exibida no Globo Repórter, a reportagem Riocentro, 15 Anos Depois trouxe à tona revelações que evidenciaram a manipulação dos fatos contidos na versão oficial e rendeu aos jornalistas o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, oferecido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Em 2001, trabalhou com o repórter cinematográfico Marco Antonio Gonçalves em uma série de reportagens sobre a guerra civil angolana exibida pelo Fantástico. Angola, a Agonia de um Povo recebeu o Prêmio Líbero Badaró, promovido pela Revista Imprensa.

De 1997 a 2001, participou do Espaço Aberto, da GloboNews. No programa, o jornalista discutiu temas como prostituição infantil, tráfico de drogas e impunidade dos crimes de colarinho branco, abordando também questões relacionadas ao trabalho de várias ONGs, como a Pastoral da Criança, a Casa da Paz de Vigário Geral, o Greenpeace e os Médicos Sem Fronteiras.

Assumiu o posto de correspondente internacional da TV Globo em Londres, em 2002. No ano seguinte, com a descentralização do escritório da emissora na Europa, transferiu-se para Paris. Em abril de 2004, ao lado do cinegrafista Sérgio Gilz e da correspondente do jornal O Globo, Débora Berlinck, cobriu o conflito entre palestinos e israelenses na cidade de Nablus. Na ocasião, quando os jornalistas tentavam entrar nos territórios palestinos ocupados para ouvir a população local, tiveram o carro de reportagem alvejado por soldados israelenses.

Ainda como correspondente internacional, participou da cobertura dos atentados terroristas em Madri, em março de 2003, e da cobertura da morte do papa João Paulo II, em abril de 2005. Foi eleito duas vezes como Melhor Correspondente, em 2003 e em 2005, pelo site Comunique-se.

Em agosto de 2005, voltou ao Brasil, novamente como repórter especial da redação em São Paulo. Em abril do ano seguinte, começou a dirigir e apresentar o Profissão Repórter – primeiro como um especial do Globo Repórter, depois como um quadro no Fantástico e, em seguida, como um programa independente –, acompanhando a rotina de oito jovens jornalistas durante todo o processo de produção de uma reportagem, da reunião de pauta à edição, passando pela apuração, entrevista e gravação. O programa é exibido pela Rede Globo e reprisado pela GloboNews.

Foi editor convidado do caderno de Variedades do Jornal da Tarde, na edição de 20 de dezembro de 2007. No mesmo ano, recebeu o Prêmio AMB de Jornalismo, na categoriaMude Um Destino, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros, com Janaína Pirola, Caio Cavechini e Thiago Jock. Em 2008, recebeu o Troféu Especial de Imprensa ONU: 60 Anos da Declaração, por ter se destacado na defesa dos Direitos Humanos no Brasil. Dois anos depois, entrou para a Galeria dos Mestres do Jornalismo do Prêmio Comunique-se, ao vencer pela terceira vez seguida na mesma categoria, Repórter de Mídia Eletrônica, e recebeu o Certificado de Mérito do Jornalistas&Cia por integrar a relação dos 15 repórteres mais premiados do País, entre os anos 1995 e 2010.

O sucesso do quadro "Profissão Repórter", comandado por ele no Fantástico, fez com que este virasse programa fixo na grade global desde 2008, tendo em Caco Barcellos seu principal repórter e apresentador.

É autor ainda dos livros Rota 66, a História da Polícia que Mata (Globo, 1992), sobre a Polícia Militar de São Paulo, ganhador do Prêmio Jabuti na categoria Reportagem e pelo qual teve que responder a 18 processos, sendo absolvido de todos eles; Abusado, o Dono do Morro Dona Marta (2004), reportagem romanceada sobre o tráfico de drogas nos morros cariocas, também vencedor do Prêmio Jabuti, na categoria Não-ficção, e do Prêmio Vladmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos; e coautor de Conexões 2007 – Nova Dramaturgia para Jovens (Célia Helena, 2007), projeto do National Theatre de Londres para o qual contribuiu com a peça de teatro Osama, the Suicide Bomber of Rio (Osama, o Homem-Bomba do Rio). Está previsto para ainda esse ano o lançamento de um livro sobre o programa Profissão Repórter.

É torcedor do Sport Club Internacional, de Porto Alegre. Queria ser jogador de futebol profissional, mas não conseguiu convencer nenhum técnico sobre suas qualidades esportivas.


 Fonte: Portal dos Jornalistas

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