FC Barcelona



O FC Barcelona, fundado em 1899 por um grupo de jovens estrangeiros que viviam em Barcelona, foi o resultado do aumento da popularidade do futebol e de outros esportes britânicos na Europa. Tais origens conferiram ao clube a sua identidade intercultural, foco multiesportivo e a sua profunda lealdade a Barcelona e à Catalunha.

A fundação do clube coincidiu com uma época onde as pessoas estavam se interessando pela prática de esportes na Catalunha; este contexto social e a cultura idiossincrática da Catalunha levaram à criação de um novo modelo de lazer moderno.

Joan Gamper, o fundador do clube, foi à inspiração e a força motriz por trás dos primeiros 25 anos do clube. O seu compromisso com o FC Barcelona foi muito além do seu papel como jogador, diretor e presidente.
1909-1922. Sucesso nacional: Oito títulos do Campeonato de Futebol da Catalunha
A temporada 1908/09 marcou o início do domínio do FC Barcelona nos Campeonatos de Futebol da Catalunha, que durou até 1922.

Resultados impressionantes levaram o Barça a ganhar o título oito vezes e, no campeonato de 1909/10, a equipe foi campeã invicta, vencendo todos os jogos que disputou.


1930-1939. Lutando contra a história


O FC Barcelona estava comprometido com a reforma social, política e cultural iniciada pelo Governo Republicano Catalão. O informativo oficial do clube em outubro de 1932 esclareceu a posição do clube: “A popularidade do nosso clube inclui, indiscutivelmente, elementos que não estão relacionados ao esporte”. A participação em atos políticos e culturais fazia parte desse comprometimento.

No início da Guerra Civil, os funcionários do clube se depararam com a possibilidade do FC Barcelona ser tomado deles, fazendo com que eles tomassem uma importante decisão que viria a salvar a organização. O comitê demonstrou o seu empenho em não se separar da sua liderança pré-guerra.

A década de 1930 foi marcada por instabilidade política e crise geral, que inevitavelmente cobraram o seu preço do FC Barcelona. Durante esta década, o clube se deparou com diversos eventos cataclísmicos, incluindo a morte do seu fundador, a Segunda República Espanhola, a Guerra Civil Espanhola e o assassinato do seu presidente, Josep Suñol. Resumindo, foi um período caracterizado por incertezas, onde se viu uma redução no número de sócios e o cancelamento dos contratos de alguns jogadores.


1949. O aniversário de 50 anos


A fundação do clube foi comemorada com uma série de eventos e um triangular entre o Barça, o Boldklub da Dinamarca e o Palmeiras do Brasil. O Barça ganhou o torneio. Aproveitando a celebração do 50º aniversário, o clube restabeleceu as quatro faixas da bandeira catalã que havia sido forçado a remover do seu brasão. Essa era uma demonstração clara do desejo de recuperar a sua identidade, apesar das limitações impostas pelas circunstâncias existentes. O comparecimento em massa dos torcedores do Barça nos eventos de celebração, que aconteceram no estádio Les Corts, evidenciaram um fato: o lendário estádio tinha ficado pequeno para a torcida culé.

1950-1961. A era de Kubala


Durante a década de 1950, o FC Barcelona viveu um considerável crescimento na sua massa social. Os 26.300 sócios se converteram em 52.791, uma subida um pouco maior que 100%. Várias razões contribuíram para esse aumento no número de sócios.

A chegada de László Kubala ao time teve um papel principal nos sucessos do Barça e ele se tornou um ídolo da torcida azul-grená. As vitórias da equipe e o lendário Kubala foram fundamentais para obter a lealdade dos fãs. O Barça se integrava todos os mais na sociedade catalã.
Ao mesmo tempo, o início da recuperação econômica vivida a partir de 1951, junto com o aumento de salários um pouco maior que as taxas de inflação, significava que as pessoas tinham um maior poder econômico. Desse modo, o custo do carnê de sócio era menos restritivo.


O clube necessitava um estádio maior. Em 1953, o slogan da campanha eleitoral de Miró-Sans “Precisamos, queremos e teremos novas dependências” foi decisivo para a sua eleição como novo presidente do Barça. A construção do Camp Nou foi uma afirmação do ímpeto modernista da entidade.


1961-1969. Nova dimensão social


Durante a década de 1960, o FC Barcelona assistiu a um aumento imparável no seu número de sócios. Contraditoriamente, o mesmo êxito não ocorreu nos esportes. Ao mesmo tempo, a Catalunha recebeu um grande número de imigrantes e foi nesse contexto que o Barça se tornou um importante mecanismo de integração na sociedade catalã. A irregularidade no âmbito esportivo e a austeridade econômica, parcialmente por culpa da construção do Camp Nou, significavam que o clube não poderia contratar grandes jogadores, e isso se refletiu nos resultados do Barça.


1969-1977. Barça e Catalunha, a era Montal


Em 1972, o idioma catalão foi reproduzido mais uma vez pelo sistema de som no Camp Nou e o informativo do clube começou a usar catalão também. Em 1973, o clube restabeleceu o seu nome original: Futbol Club Barcelona. Durante a temporada final da presidência de Montal, o Barça se comprometeu em apoiar o restabelecimento do governo catalão.


1969-1978. Cruyff, democracia


Em 1969 Agustí Montal Costa ganhou as eleições e se tornou presidente do clube. Seu programa insistia no envolvimento dos sócios e se comprometia com a ideia de que todos os sócios veriam as suas opiniões refletidas através dos seus votos. Em 1973, Montal foi novamente eleito presidente. O slogan da sua campanha era: “O Barça é mais do que um clube”.

Durante a sua presidência, Montal defendeu apaixonadamente a restauração do nacionalismo catalão e se opôs firmemente ao centralismo no futebol, como era exercido pela Federação Espanhola de Futebol e a Delegação Esportiva Nacional. A sua influência levou o Futbol Club Barcelona a começar a recuperar os seus símbolos, começando com o nome da organização, que havia sido alterado para soar mais espanhol após a Guerra Civil.

A explosão de corrupção associada com os “oriundos” (jogadores estrangeiros que falsificavam suas certidões de nascimento para alegar nacionalidade espanhola e se tornarem aptos a jogar no futebol espanhol) significava que agora era possível contratar jogadores estrangeiros. Agora, o sonho do Barça de contratar Johan Cruyff começava a se tornar realidade.

As vitórias da seção de hóquei sobre patins começaram a se acumular; o hóquei é a seção profissional que ganhou mais títulos nacionais e internacionais para o clube.


1978-1988. Mais sócios, mais estrelas


A incrível vitória na Basileia em maio de 1979, quando o Barça ganhou a Copa dos Campeões da Copa Europeia de Clubes pela primeira vez, trouxe o FC Barcelona de volta ao topo da classificação entre os grandes clubes do mundo. Foi a primeira vitória durante a presidência de Josep Luís Núñez. Durante a década de 1980, o FC Barcelona vivenciou altos e baixos, influenciados por resultados de partidas, desempenhos de jogadores famosos e outros assuntos não relacionados ao esporte.

Nessa década, foi vista a chegada de jogadores extraordinários como Quini, Maradona, Schuster, Alexanco, Julio Alberto, Urruti, Marcos… e uma série de treinadores com estilos de futebol bastante diferentes, como Helenio Herrera, Lattek, Menotti, Venables… Esse também foi o período no qual apareceram os primeiros contratos multimilionários, e os direitos de transmissão na televisão começaram a influenciar os assuntos financeiros do clube. A organização cresceu ainda mais com a ampliação do Camp Nou e viu um aumento incrível no seu número de sócios, que ultrapassou os cem mil.


1988-1996. O “Dream Team”


A partir de 1988, com Cruyff como treinador, o Barça experimentou novamente uma fase de excelente futebol e sucesso no esporte. A diretoria, presidida por Nuñez, tinha como foco a construção de uma equipe de futebol que entusiasmasse e tivesse um bom desempenho. O Camp Nou começou a ficar cheio novamente.

O FC Barcelona conseguiu assegurar quatro campeonatos consecutivos da Liga Espanhola entre 1990 e 1994. A vitória na Copa Europeia de Clubes, em 1992, foi o ápice desse período, caracterizado pelo estilo de jogo ofensivo e com toques rápidos, além da mentalidade vencedora dos jogadores de Cruyff.

Conhecido como o “Dream Team” do futebol europeu, os seguintes jogadores inesquecíveis entraram para a história do Barça:
Zubizarreta, Bakero, Begiristain, Laudrup, Koeman, Stoichkov, Romário, Eusebio, Nadal, Guardiola, Amor, Juan Carlos, Ferrer, Nando, Julio Salinas, Serna, Alexanko e Goikoetxea.

Liderados pela dupla Cruyff-Rexach, a equipe finalmente deixou para trás o seu passado problemático; o Barça se tornou um dos maiores nomes do futebol mundial.


2008-2015. Os melhores anos da história do Barcelona


Sob o comando de Josep Guardiola, a equipe melhorou ainda mais utilizando o mesmo estilo introduzido por Cruyff. Guardiola era um grande defensor da estratégia de basear a sua equipe em jogadores formados nas categorias de base do clube e promoveu diversos jovens talentos para a equipe principal. O resultado foi a melhor equipe que o Barça já viu.

O grande reconhecimento internacional de tal feito veio quando as indicações da Bola de Ouro FIFA, em 2010, listaram Xavi, Iniesta e Messi para o prêmio. Todos os três haviam crescido na 'Masia', a residência onde jovens esportistas de todas as idades são treinados e educados.

Essa equipe foi o ápice de tudo que o FC Barcelona representa e produziu uma incrível sucessão de grandes títulos, incluindo duas Ligas dos Campeões e três Ligas Espanholas, além do esperado Mundial de Clubes da FIFA, que foi finalmente vencida em 2009, naquele ano extraordinário onde o Barcelona ganhou todos os seis troféus em disputa, algo nunca visto antes da história do futebol europeu.

O Barça quebrou todos os tipos de recordes, disputou jogos memoráveis e ganhou praticamente todos os títulos disponíveis. Mas o maior prêmio para o time de Guardiola veio em Wembley, quando o mundo ficou encantado com o tipo de futebol dos sonhos. A imprensa mundial elogiou esse time extraordinário que escreveu um dos capítulos mais incríveis na história do jogo. A etapa de Guardiola finalizou em 2012, mas o Barça vai continuar obtendo êxitos com Tito Vilanova (Liga 2012/13) e com Luis Enrique, que em 2015 consegue o segundo tríplice coroa da sua história: Copa do Rei, Campeonato Espanhol e Champions League.


Mas não foi somente a equipe de futebol que estava recolhendo os prêmios. As equipes de basquete, handebol, hóquei sobre patins e Futsal conquistavam o seu primeiro título europeu. Além disso, as temporadas 2011/12 e 2014/15 fecharam com um número recorde de troféus: 17. Em 115 anos de história, O FC Barcelona nunca tinha ganhado tantos prêmios em uma única campanha.

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