As teorias da Comunicação


A disciplina de Teoria da Comunicação costuma ser o cadafalso para quem ingressa em qualquer área da Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade e Propaganda ou Relações Públicas. Talvez a principal causa esteja na didática utilizada no ensino de História e Geografia, na ausência da Sociologia e numa Filosofia incipiente, embora tenha retornado como disciplina obrigatória nos currículos do ensino fundamental, por serem os campos principais do conhecimento onde os teóricos buscam subsídios para fundamentar o seu pensamento. Persiste, embora os esforços de alguns segmentos, a interpretação mecânica dos fatos e a tradição de levar o aluno a reservar espaço na memória para datas e nomes, sem uma reflexão sobre como a sociedade se organizava na época. Sabemos que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil em 1500, e que havia Portugal, Espanha, Holanda e Inglaterra interessados em novos territórios. Mas pouco, ou nada, sabemos sobre como a coroa portuguesa, por exemplo, se relacionava com seus súditos, ou as estratégias utilizadas pelos ricos da época nas suas relações com os pobres. Embora leituras digamos mais amenas dificilmente apontam conflitos entre ricos e pobres, independente da época, sabemos que existiram e continuam existindo, e pouco sabemos sobre estes acontecimentos pela falta de discussão a respeito.

Não. Os estudos de Teoria da Comunicação não incluem o período conhecido pelas grandes navegações, embora as pessoas, com certeza, se comunicassem. Mas em relação a este período, ou a períodos anteriores e até século 19, não seria coerente estabelecer teorias que relacionassem fenômenos de comunicação. Esta possibilidade somente será aberta a partir da Revolução Industrial, em 1830, e da formação da sociedade de massas. O propósito do exemplo dado não é relacionar comunicação com a sociedade portuguesa do século 15, mas sim chamar a atenção para aspectos que normalmente passam despercebidos ou são tratados como “normais”, como a existência de ricos e pobres num mesmo período e ocupando um mesmo espaço geográfico. Essa leitura do mundo é necessária quando o objetivo é estabelecer parâmetros para relacionar e interpretar as conseqüências decorrentes da presença de um complexo de meios de comunicação capaz de mudar hábitos e comportamentos, de impor idéias e costumes, ou de propor uma relação dialógica – de diálogo – entre emissor e receptor, estes os elementos formadores dos dois pólos obrigatórios para que exista uma relação de comunicação.

Ou seja: para entender Teoria da Comunicação faz-se mister buscar na Sociologia, na Filosofia, na Antropologia e na História os elementos básicos e fundamentais para interpretar as formas de pensar sociedade e meios de comunicação num determinado período. Da Sociologia buscamos as teses utilizadas por comunicólogos para propor interpretações sobre as relações dos meios de comunicação com a sociedade. Da Filosofia, os aspectos humanos e humanitários que nortearam as interpretações sobre a natureza transcendental do homem e as suas relações com o espaço terreno. A Antropologia permite acompanhar a trajetória dos humanos sobre a face da terra desde o momento em que o primeiro macaco pôs-se em pé, aceitando neste aspecto as teorias evolucionistas de Charles Darwin. E da História, os fatos e os personagens que determinam as características de um período na trajetória humana sobre o espaço que ocupa.

Complicado? Num primeiro momento, pode até parecer. Mas é possível descomplicar. Pensemos como um antropólogo, que busca nas raízes da humanidade elementos que possam responder questões atuais. Descobrimos, em assim pensando, que o domínio do fogo há mais de meio milhão de anos representou uma revolução. Mudam os hábitos alimentares e o organismo sofre alterações devido à ingestão de alimentos cozidos. Mudam também as relações entre os diferentes grupos: a difusão do conhecimento sobre as técnicas de, digamos, produção do fogo, estabelece uma relativa igualdade de forças entre esses grupos. E internamente, no seio de cada um destes grupos, novas relações se estabelecem, de mando e de domínio. E aqui já estaríamos pensando como o sociólogo que interpreta, por exemplo, como o dominante se comporta diante do dominado e vice-versa. Estabelecer datas e fatos, identificando o pensamento dominante e as causas e fatores que determinaram, novamente exemplificando, um acontecimento sempre nominado, é tarefa dada a historiadores. Ciências, como vemos, complementares pelas suas especificidades, e que nos leva a concluir que saber que a Revolução Francesa, datada de 1789 e que tinha como lema a tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade, é muito pouco. Há que se considerar que nesse período a indústria superava a agricultura, e que necessariamente os proprietários das terras e os emergentes industriais não eram necessariamente as mesmas pessoas. Já é possível perceber que nesse cenário os conflitos de interesses eram inevitáveis. E tanto o foram que eclodiu um movimento social de amplo espectro que até hoje, passados mais de 200 anos, continuam influenciando o pensamento da humanidade.

Novamente, um alerta. Teoria da Comunicação não se debruça sobre os descobrimentos portugueses ou sobre causas e conseqüências da Revolução Francesa. São elementos utilizados para estabelecer alguns princípios básicos para melhor entender o que vai acontecer com o mundo quando entram em cena os meios de comunicação da forma como os conhecemos hoje. Antes de avançar nesse caminho, no próximo capítulo, necessário faz-se uma ligeira diferenciação entre lei, teoria e dogma:

LEI – Não as leis do direito civil ou penal, mas a lei estabelecida pela efetiva demonstração científica, e sobre a qual não cabem contestações. Assim, Newton estabeleceu a lei da gravitação universal. Traduzindo: tudo o que sobe um dia tem que descer, e desce a uma aceleração de 9,8 m/s2.

TEORIA – Explicação sobre determinando fenômeno, aceita por um grupo significativo de estudiosos e pesquisadores da área à qual está relacionado o fenômeno em questão, mas que não foi comprovada cientificamente. Permanece nessa condição toda proposição que continua sendo testada mas que ainda não foi comprovada a sua eficácia ou ineficácia. Um exemplo é a teoria gravitacional proposta por Albert Einstein nos anos 1950. Defendia Einstein que uma partícula que atingisse a metade da aceleração na razão direta da sua massa e o dobro da velocidade da luz se transformaria em energia, ou, pela fórmula, E = ½ mC2, onde E é energia, m a massa e C a velocidade da luz. A teoria continua sendo testada e ainda não foi comprovada nem derrubada.

DOGMA – O dogma é a teoria que não encontra explicação científica, não foi comprovada nem derrubada mas é aceita independente das razões da ciência. Apenas estabelecendo um exemplo, o maior dogma universal é Deus. Não há explicação científica para a sua existência e a sua aceitação acontece sem contestações. O dogma, portanto, dispensa argumentações racionais e não deixa muito espaço para além da aceitação ou da negação.

No caso específico da comunicação, note que o estudo leva em conta apenas teorias, sem referir-se a uma lei geral da comunicação envolvendo sociedade e meios de comunicação. A explicação é igualmente simples, como veremos ao longo do curso: a sociedade muda, e os meios de comunicação também. Para ter uma melhor visão dos significados destas mudanças, imagine o comportamento das pessoas durante a 1ª Guerra Mundial (1911/1919), ou da 2ª Guerra, de 1939 a 1945. Um estudioso que elaborasse uma lei geral da comunicação e seus meios considerando o mundo do início do século 20 teria problemas com a sua proposta antes que o século chegasse à sua metade. O mundo não era mais o mesmo e a humanidade já havia aprendido, a duras penas, o que era um conflito dessas proporções.


CONDIÇÕES PARA O SURGIMENTO DAS TEORIAS DA COMUNICAÇÃO

O campo das teorias da comunicação começa a se formar a partir da segunda metade do século 19. Como afirmamos anteriormente, foram as inovações trazidas pela Revolução Industrial de 1830 que constituíram o elemento principal do que chamaríamos hoje de “uma revolução midiática”. Até então a maioria dos impressos – temos apenas jornais circulando até essa época – tinha conotação fortemente política.  Essa característica é compreensível. As impressoras, comparativamente àquelas que surgem a partir do século 19, eram lentas, e o papel, além de ser caro não era fornecido em escala industrial, fazendo com que o custo do exemplar fosse muito alto. Além disso, a população era analfabeta e dispersa. Ou seja, além de não saber ler – o que não era pouco – estavam muito distantes umas das outras, o que dificultava a distribuição do produto.

Essa realidade começa a mudar com a introdução da máquina a vapor. No campo, as máquinas começam a substituir o trabalho braçal, e os trabalhadores são expulsos por falta do que fazer. Nas cidades, como contrapartida, começam a surgir as indústrias, que vão absorver parte da mão-de-obra representada por essa população rural que é obrigada a buscar novas oportunidades de vida. Em razão do elevado êxodo rural, os burgos – ou vilas – rapidamente se transformam em cidades que crescem vertiginosamente e de forma desorganizada. Aqui, já é possível perceber o que irá acontecer com os meios de comunicação. Note que os problemas geográficos praticamente não existem mais. As pessoas estão muito próximas umas das outras, o que facilita a distribuição dos impressos, e os índices de analfabetismo baixam de forma significativa. Ao mesmo tempo, as impressoras ganham cada vez mais velocidade e os problemas de produção industrial de papel são superados. Isso significa que, com as pessoas próximas umas das outras, é possível imprimir um jornal e vendê-lo a um número expressivo de pessoas, e a quantidade, como defende a economia capitalista, incide na redução de preços, tornando o produto disponível para um público maior.

Portanto, percebemos que o mundo existente no início do século 19 é analfabeto e disperso, e o custo do impresso é muito alto pelos problemas de impressão, distribuição e pela escassez de papel. À medida que o século 19 avança, as impressoras se tornam mais rápidas, o papel mais barato, as pessoas estão mais próximas e a maioria sabe ler e escrever. Esse cenário é propício para o lançamento de mais um produto: a notícia. Havia pessoas interessadas em ter acesso ao que acontecia e estavam dispostos a pagar por isso. Logicamente, surgiram outras pessoas também dispostas mas a entregar aos interessados estas notícias em forma de impressos, e aqui já se incluem as revistas. Este é o berço das empresas de comunicação que conhecemos hoje, e que vão crescer e se multiplicar com a invenção do rádio entre o final do século 19 e o início do século 20, com a televisão a partir dos anos 1940 e com a internet já no final do século 20.

À primeira vista, tudo parece lógico, e por que não dizer, perfeito. As pessoas estão mais próximas, têm jornal à disposição, sabem ler e escrever em sua maioria. Mundo perfeito, não? Seria, seria, diria alguém mais afinado. Seria um mundo perfeito não fossem os interesses, nesse caso, econômicos. E mais: lembre-se da afirmação feita anteriormente sobre as características dos impressos até a Revolução Industrial. Eram “essencialmente políticos”. Somem um segundo aspecto, muito relevante: a emergência das empresas editoras destes jornais. Estas empresas têm interesses comerciais, ou seja, visam o lucro. Em função disso, desapareceu o tom político?

Antes de responder à questão levantada no parágrafo anterior, é importante fazer algumas considerações. Primeiro, que não há nada errado em ter interesses comerciais, que podem ser traduzidos como lucro, que por sua vez podem ser igualmente interpretados como forma de garantir o pagamento da matéria-prima – máquinas para impressão, papel e tinta -, dos funcionários e da própria subsistência. Segundo, que a informação não é neutra e jamais será, e é esta a razão principal para que pelo menos duas correntes de pensamento sobre os fenômenos relacionados à circulação de informações em escala industrial tenham se estabelecido, como veremos a seguir. A primeira destas correntes vai se debruçar sobre as relações entre Emissor – os meios de comunicação – e o Receptor – aquele que compra os impressos -, e a segunda vai levar em consideração as conseqüências sobre a organização da sociedade com a circulação de informação em escala industrial. Estas vertentes de estudo irão se organizar em forma de escolas, não da forma como as conhecemos, com endereço, um prédio e salas de aula, mas pela união de pensadores que compartilham dos mesmos princípios e fundamentos. Como a torcida de um clube de futebol, que existe espalhada e se reúne em dia de jogo, no estádio ou acompanhando o jogo pelo rádio ou pela televisão, e que tem em comum a preferência por um time. Os congressos, as publicações científicas, são algumas das formas em que os integrantes de uma escola de comunicação se reúnem.

Lembrem que temos um novo fenômeno social em andamento, representado pelos meios de comunicação e a tiragem de milhares de impressos. Nesse novo mundo, era de esperar que pesquisadores de praticamente todas as áreas do conhecimento constituídas até esse período viessem em busca de respostas para o que estava acontecendo. E é esta diversidade de pensamento que vai fazer com que as teorias sejam formuladas, se mantenham e sejam substituídas por outras. Todas com um mesmo propósito: encontrar respostas para o novo mundo que se formava, e esse “novo mundo” surge diante de alguns aspectos básicos. A mudança da base tecnológica é um deles, e basta olharmos para o lado e para trás para concluir que o mundo com a chegada do rádio mudou, e mudou de novo com a televisão e depois com a internet. Estas mudanças incluem também revoluções sociais, como as duas guerras mundiais e a mudança de comportamento que muda o mundo mais uma vez a partir dos anos 1960, alavancada pela liberação sexual da mulher com a descoberta da pílula anticoncepcional, e a rebeldia dos jovens, e nesse aspecto podemos citar os hippies. Se o mundo mudou, é preciso entendê-lo...


DUAS VERTENTES DE ANÁLISE

Para introdução aos estudos das teorias da comunicação, vamos por partes. Inicialmente, entender os fundamentos das duas vertentes de estudos sobre fenômenos de comunicação. Ambas foram propostas nas primeiras duas décadas do século 20, e se mantém até hoje mas com mudanças significativas na forma de análise. Estas mudanças foram – e continuam sendo – provocadas pelas razões expostas no item anterior. Para melhor expor as características destas duas vertentes, vamos dividi-las em administrativas e críticas. A primeira é reconhecida como administrativa, e a crítica é proposição apresentada nesta exposição. Vejamos as suas características gerais.


a. A corrente administrativa

Comecemos com uma pergunta: o que é administrar? Se você contou as moedas que traz no bolso antes de vir para a faculdade, conferiu se tinha o suficiente para o transporte, para o lanche e para o xerox. Se a quantia era igual ou maior, tudo bem. Menor, vai ter que cortar alguma coisa, ou saindo mais cedo e chegando mais tarde, ou espichando o estômago. Outro exemplo: tem trabalho para ser entregue amanhã, mas às 7h o despertador chama para o trabalho, ao meio-dia é correria e depois aula no fim da tarde/início da noite. Tempo para fazer o trabalho? A decisão, administrativa, é encurtar o sono e viabilizar a entrega do trabalho solicitado pelo professor dentro do prazo. Isso é administrar.
No caso da corrente administrativa, os elementos que devem ser administrados são dois: o emissor, que é a empresa de comunicação – rádio, jornal, revista, televisão, internet – e o receptor, que forma o público consumidor dos conteúdos elaborados por estas empresas. Perceber a importância desta linha de pesquisa é fácil: basta puxar pela memória e encontrar aquela informação sobre a autora da novela que cortou um personagem e esticou outro por que a empresa detectou, através de pesquisas de opinião, que as coisas não andavam bem. Esta é a linha básica de estudos, e seria simples se não houvesse a necessidade de juntar todos os aspectos, desde a audiência de uma telenovela à circulação de uma revista, e estabelecer uma compreensão geral sobre as relações que se estabelecem entre um emissor e seus públicos dentro um determinado período. Por quê dentro de dentro um determinado período? A resposta já foi dada, ao menos em parte, e será ampliada na medida em que cada escola for estudada, mas basicamente a resposta inclui as condições em que vivem as pessoas – se há guerra, crise ou estabilidade econômica – e os valores comportamentais dominantes.

A primeira fase da corrente administrativa foi composta pelas seguintes escolas:

HIPODÉRMICA – Proposta a partir do final da 1ª Guerra Mundial. Foi fortemente influenciada pelo conflito, pela crise econômica de 1929 (a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque) e pela emergência do nazismo e do fascismo na Europa. Buscou na psicologia behaviorista e na sociologia os fundamentos para defender a tese de que os meios de comunicação, diante dos acontecimentos do período, necessariamente manipulam os seus públicos.

ESCOLA EMPÍRICO-EXPERIMENTAL OU “DA PERSUASÃO” e ESCOLA EMPÍRICA DE CAMPO OU “DOS EFEITOS LIMITADOS” – Surgem praticamente no mesmo período, após o declínio da teoria hipodérmica. Enquanto esta debruçava-se mais sobre a análise da propaganda, estas passam a refletir situações mais “normais” dos processos de comunicação. A primeira considera que, se os meios de comunicação organizarem a sua mensagem é possível persuadir, ou convencer, os seus públicos. A empírica de campo defende que os meios de comunicação são um dos elementos presentes numa determinada sociedade capazes de influenciar as pessoas, mas que outras pessoas, como o padre ou o professor, também têm, diante de suas possibilidades e capacidades, o poder de exercer influências. Daí os “efeitos limitados” dos meios de comunicação.

FUNCIONALISTA – Proposta após o final da 2ª Guerra Mundial e fortíssima a partir dos anos 1960. Baseado nas teses do sociólogo Talcott Parsons, que propôs as bases do estrutural-funcionalismo, unindo a sociologia à antropologia social e à psicologia clínica, de modo a fornecer uma análise geral dos fundamentos da sociedade. Parsons entende a sociedade como um organismo vivo onde todas as pessoas e estruturas – escolas, hospitais... – exercem funções específicas. A tarefa dos pesquisadores em comunicação foi estabelecer funções para os meios de comunicação.

É de fundamental importância entender que nenhuma destas escolas teve interesse em manipular, persuadir ou exercer influências sobre quem quer que seja. Muitas delas, como as empíricas, principalmente, foram financiadas por empresas públicas e privadas, que buscavam respostas para o que estava acontecendo no mundo para garantir e ampliar os seus públicos. Portanto, deveriam necessariamente agir de forma científica de forma a apresentar resultados aos seus financiadores para que estes, as empresas de comunicação e até fabricantes de perfumes, adequasse melhor os seus programas ou fizessem melhor uso da publicidade.


b. As escolas críticas

Generalizamos aqui como críticas as escolas que surgiram a partir das bases formuladas especialmente por Theodor Adorno e Max Horkheimer. Nos anos 1920, ambos eram professores da Escola de Frankfurt – esta sim, com prédio, endereço e alunos – e propuseram uma análise das conseqüências sociais relacionadas à presença dos meios de comunicação. Com base nos estudos do filósofo alemão Karl Marx, formularam o conceito de indústria cultural, identificando uma forma particular de indústria especializada não na produção de cultura, mas de bens culturais como livros, filmes e discos, entre outros. Para a teoria crítica (tomada aqui como referência para as demais), ou Escola de Frankfurt, os bens produzidos por esta indústria seguiam os valores da elite, ou classe dominante, e exercia poder destrutivo sobre a cultura popular.

Integram esta mesma linha de estudos:

ESCOLA FRANCESA – Aceitou as proposições de Adorno e Horkheimer, mas opôs-se quanto à capacidade destrutiva dos conteúdos dos produtos da indústria cultural. Defendeu a “mistura” de culturas, com hegemonia da cultura industrializada.

ESCOLA INGLESA ou CULTURAL STUDIES – Surgida na Universidade de Birmingham, Inglaterra, acreditava que era possível barrar o ingresso da indústria cultural entre as camadas populares. Propôs uma sistemática de estudos e análises das condições de vida da classe operária, discutindo com o proletariado questões relacionadas com religião, sexualidade e outras. Fundamentam os estudos dos gêneros.

Complementam os estudos de Teoria da Comunicação uma visão sobre propostas como agenda-setting, cibercultura, semiótica, teoria matemática e comunicação na América Latina. A disciplina encerra com uma análise da principal corrente de análise em comunicação da atualidade, que se debruça basicamente sobre aspectos de mediação. Entende-se mediação como a capacidade dos meios de comunicação em mediar – no mesmo sentido do juiz de futebol que arbitra uma partida – acontecimentos entre os centros de decisão e o público receptor, identificando os procedimentos adotados pelos meios de comunicação. É possível perceber as intenções dos pesquisadores desta linha com base em afirmações cotidianas, como “o narrador que torce por um time”, ou “a TV que defende um político numa eleição”, embora a análise seja muito mais ampla e vá muito além.

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