Istambul

Istambul (em turco: İstanbul), antiga Bizâncio e Constantinopla (nome ainda usado em várias línguas, como no grego Κωνσταντινούπολις, Konstantinúpolis), é a maior cidade da Turquia, a quinta maior do mundo e a mais populosa da Europa, com 803 468 habitantes no centro da cidade (2005) e 12 782 960 em sua região metropolitana (2009). A grande maioria da população é muçulmana (com grande número de laicos), e uma minoria de cristãos (68 000) e de judeus (20 000).

A Catedral de Santa Sofia foi transformada em mesquita durante o domínio do Império Otomano. Hoje é o cartão postal da cidade de Istambul, na Turquia.


É a capital da área metropolitana (büyükşehir belediyesi) e da província de Istambul, a qual faz parte região de Mármara. No passado foi a capital administrativa da Província de Istambul, na chamada Rumélia ou Trácia Oriental. Era denominada Bizâncio até 330 d.C., e Constantinopla até 1453, nome bastante difundido no Ocidente até 1930. Durante o período otomano, os turcos chamavam-na de Istambul, nome oficialmente adotado em 28 de março de 1930.

Foi sucessivamente a capital do Império Romano do Oriente, do Império Otomano e da República da Turquia até 1923. Atualmente, embora a capital do país seja Ancara, Istambul continua sendo o principal polo industrial, comercial, cultural e universitário (abriga mais de uma dezena de universidades). É a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, sede da Igreja Ortodoxa.

Algumas zonas históricas de Istambul foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 1985, pelos seus importantes monumentos e ruínas históricas.

Etimologia

O atual nome da cidade,İstanbul em turco (AFI: [is'tambul] ou, coloquialmente, [ɨsˈtambul]) vem sendo usado para descrever a cidade, nas diversas de suas variações, desde pelo menos o século X, tendo-se tornado o nome comum da cidade no turco falado desde a Queda de Constantinopla, em 1453, e sua integração no Império Otomano. Etimologicamente o nome é derivado da frase grega medieval "εἰς τὴν Πόλιν" [istimˈbolin] ou, no dialeto egeu, "εἰς τὰν Πόλιν" [istamˈbolin] (em grego moderno: "στην Πόλι" [stimˈboli]), que significa "na cidade", "à cidade" ou "centro da cidade".

Bizâncio foi o primeiro nome da cidade, e foi dado por colonos da cidade-Estado de Mégara em homenagem ao, seu rei, Bizas, quando fundaram a cidade em 667 a.C. Quando o imperador romano Constantino, o Grande fez da cidade a nova capital oriental do Império Romano, em 11 de maio de 330, ele lhe concedeu o nome de Nova Roma. Constantinopla ("Cidade de Constantino") foi o nome pelo qual a cidade acabou, no entanto, se tornando mais conhecida; apareceu pela primeira vez em uso oficial durante o reinado do imperador Teodósio II (408-450). Este permaneceu o principal nome oficial da cidade por todo o período bizantino, e o nome mais comumente usado no Ocidente para se referir a ela até o início do século XX.

A cidade também foi apelidada de "Cidade das Sete Colinas", pois a península onde se situa a parte mais antiga da cidade tem sete colinas (como Roma). Atualmente no cimo de cada uma das colinas há uma grande mesquita otomana. As colinas estão representados no emblema da cidade como sete triângulos, sobre os quais se elevam quatro minaretes. A cidade tem muitas outras alcunhas, como por exemplo, Vasilevousa Polis ("Rainha das Cidades", em grego), que surgiu a partir da importância e riqueza da cidade durante a Idade Média, e Dersaadet (originalmente Der-i Saadet, "Porta para a Felicidade") que foi usado pela primeira vez no fim do século XIX e ainda é utilizado hoje em dia.

Com a Lei do Serviço Postal Turco, de 28 de março de 1930, as autoridades turcas pediram oficialmente às nações estrangeiras que adotassem Istambul como o único nome em seus próprios idiomas.

História

Em 2008, durante as obras de construção da estação de metrô Yenikapı e do túnel Marmaray, na península situada no lado europeu, encontrou-se um assentamento neolítico até então desconhecido, datado como sendo de cerca de 6 500 a.C. O primeiro povoamento no lado anatólio (oriental) é o monte Fikirtepe, que data da Idade do Cobre, com artefatos que vão de 5 500 a 3 500 a.C.

Na vizinha Chalkedon (Calcedônia) foi descoberto um povoado que data do período fenício. O cabo de Moda, na Calcedônia, foi o primeiro local onde colonos gregos de Mégara se estabeleceram, em 685 a.C., antes de fundarem Byzantion (Bizâncio) no lado europeu do Bósforo, em 667 a.C.. Byzantion, por sua vez, foi fundada sobre o local de um antigo povoamento portuário chamado Lygos, fundado por tribos trácias entre os séculos XIII e XI a.C., juntamente com a vizinha Semistra, mencionada por Plínio, o Velho em seus relatos históricos. Apenas algumas muralhas e estruturas de Lygos sobreviveram até hoje, próximo ao Cabo do Serralho (Sarayburnu), onde está atualmente o famoso Palácio Topkapı, no mesmo local onde outrora se erguia a acrópole da cidade de Bizâncio.

Bizâncio

Bizâncio (em grego antigo: Βυζάντιον, transl. Byzántion)] recebeu o nome do soberano dos colonos gregos de Mégara, o rei Bizas. A cidade esteve em mãos dos persas aquemênidas, que a ocuparam e a destruíram no século V a.C.. Foi reconstruída pelo general de Esparta, Pausânias, em 479 a.C. Mais tarde Esparta teve que disputar seu controle com os atenienses, que a tomaram em 409 a.C., tendo-a mantido até 405 a.C., quando voltou ao domínio espartano, para voltar novamente ao domínio de Atenas em 390 a.C.

Entre 336 e 323 a.C. Bizâncio esteve em mãos dos macedônios, de Alexandre Magno. Depois da morte deste, a cidade recuperou alguma independência, mas quando os celtas conquistaram a Trácia em 279 a.C., impuseram um tributo a Bizâncio.

Império Romano

Em 191 a.C. a cidade passou a ser aliada de Roma, que a reconheceu como cidade livre. Posteriormente passou ser governada diretamente pela República (século I a.C.). No ano 194 d.C., Bizâncio se viu envolta em uma disputa entre o imperador romano Septímio Severo e o usurpador Pescênio Níger; após tomar partido pelo último, a cidade foi sitiada pelas forças leais a Septímio em 196 d.C., e sofreu danos extensos. Cinco anos depois o mesmo Septímio Severo ordenou a reconstrução da cidade, que rapidamente alcançou sua antiga prosperidade, chegando a ser renomeada como Augusta Antonina pelo imperador, em homenagem a seu filho.

Império Bizantino

A posição estratégica de Bizâncio atraiu o imperador romano Constantino I, o Grande, que no ano 330, refundou a cidade como Nova Roma ou Constantinopolis em sua honra (Constantinopla, em grego: Konstantinoupolis, Κωνσταντινούπολη ou Κωνσταντινούπολις) e a converteu na capital do Império Romano. Em 395, com a divisão deste, passou a ser a capital do Império Romano do Oriente, que depois se viria a denominar Império Bizantino. O nome de Nova Roma nunca foi muito usado, tendo prevalecido o nome de Constantinopla até à queda do império em 1453. Apesar dos novos senhores da cidade terem abandonado o antigo nome, ele foi usado até o século XX, no Ocidente e ainda se usa na Grécia.

O estatuto de capital imperial e a posição estratégica, na encruzilhada entre a Europa e a Ásia e entre o Mediterrâneo e o Mar Negro, contribuiram para tornar Bizâncio um importante centro de comércio, cultura e diplomacia. Embora a parte ocidental do Império Romano tivesse entrado numa crise econômica, política e demográfica, Constantinopla manteve a sua posição durante séculos, convertendo-se na grande metrópole europeia medieval.

Do primeiro período de esplendor do Império Bizantino destaca-se a Basílica de Santa Sofia, obra-prima da arte bizantina, mandada contruir pelo imperador Justiniano I. Passando por um período de algum declínio nos séculos VII e VIII, o império retomaria o seu esplendor nos séculos IX e X, para o qual contribuiu também o Grande Cisma do Oriente. O século XI marcou o início da decadência do império, com a grande derrota na Batalha de Manzikert frente aos turcos seljúcidas, que precipitou a perda de uma parte signficativa da Anatólia. Um século depois, em 1204, a cidade seria pilhada e conquistada pela Quarta Cruzada, tendo passado a fazer parte do efémero Império Latino durante 55 anos. Em 1261 Miguel VIII Paleólogo reconquista Constantinopla aos cruzados, pondo assim fim ao Império Latino e restaurando o Império Bizantino. Apesar de todas as turbulências e da constante ameaça turca, que perdurou para além do fim dos estados cruzados, a cidade manteve a sua importância como centro cultural e comercial do Mediterrâneo, onde a maior parte das potências comerciais dessa parte do mundo mantiveram consulados e colônias de mercadores. O último imperador bizantino foi Constantino XI que morreu na defesa da cidade.

Império Otomano

A Queda de Constantinopla, nome pelo qual é conhecida a conquista da cidade pelos turcos otomanos e que muitos consideram a marca do fim da Idade Média, deu-se em 29 de maio de 1453. A cidade capitulou após anos de conflitos com os otomanos, que haviam conquistado o resto do Império Bizantino, inclusivamente à volta da cidade, bem como grande parte do que restava do Império Seljúcida na Anatólia. Após um longo cerco, as tropas do sultão Mehmet II "el-Fatih" ("o Conquistador") entraram finalmente na cidade, que rapidamente foi convertida na capital do império em ascensão, situação que se manteria até 1 de novembro de 1922, data oficial da dissolução do Império Otomano. Os otomanos denominaram a cidade İstanbul.

O domínio otomano trouxe grandes mudanças culturais à cidade, que passou de capital imperial bizantina e cristã ortodoxa para capital do que se tornaria rapidamente o mais poderoso império muçulmano do mundo. Aquela que tinha sido durante quase mil anos a maior igreja do mundo e que continuaria a ser o maior edifício religioso coberto durante mais de um século, Hagia Sofia foi convertida numa mesquita, o mesmo tendo acontecido com muitas das igrejas mais importantes da cidade, sobretudo com aquelas que pertenciam aos bairros que se empenharam mais na defesa da cidade contra os turcos. No entanto, conservaram-se muitas igrejas — a tolerância religiosa foi uma constante no império otomano. Ao longo do tempo, e até ao século XIX, quase todos os sultões construíram mesquitas monumentais para comemorar os seus reinados. Entre as mais magníficas destas mesquitas ditas imperiais, podem citar-se, entre outras, a Mesquita de Bayezid, a Mesquita do Sultão Ahmed, popularmente conhecida como Mesquita Azul, cujo primeiro sermão de sexta-feira foi proferido pelo famoso sufista Aziz Mahmud Hudayi, a Mesquita de Fatih e a Mesquita Süleymaniye, de Solimão, o Magnífico, a maior de Istambul, não considerando Santa Sofia.

As mães dos Sultões, figuras de grande relevância na política otomana, também mandaram construir algumas mesquitas monumentais. Grande parte destas mesquitas teem no nome "Valide Sultan", o título da mãe do sultão reinante.

As ordens religiosas sufis, então muito importantes, tanto pelo número de seguidores, com pela influência na sociedade, contavam com inúmeros seguidores que participaram na conquista da cidade e muitas instalaram as suas sedes na nova capital, que chegou a ter mais de 100 tekkes (locais de reunião sufis, onde se realizavam cerimónias rituais, que frequentemente funcionavam de modo semelhante aos mosteiros cristãos).

Muitos destes tekkes ainda existem atualmente, alguns anexos a mesquitas, outros transformados em mesquitas, outros ainda em museus. Disso são exemplo o Jerrahi Tekke em Fatih, as mesquita de Sünbül Efendi e de Ramazan Efendi, o Galata Mevlevihanesi, o Yahya Efendi Tekke em Beşiktaş e o Bektaşi Tekke em Kadıköy, que atualmente é uma Cemevi (espécie de tekke dos alevitas). Um elemento pitoresco da cidade, ainda patente hoje em dia, são as türbes, túmulos característicos do período otomano.



República da Turquia

Quando a República da Turquia foi estabelecida por Mustafá Kemal Atatürk em 29 de Outubro 1923, a capital foi transferida de Istambul a Ancara. Istambul foi adotado como nome oficial em 1930. Nos primeiros anos da república, Istambul foi algo descurada em favor da nova capital, Ancara, mas durante as décadas de 1950 e 1960 Istambul assistiu a grandes mudanças estruturais. A comunidade grega, em tempos numerosa e próspera, diminuiu ainda mais depois dos tumultos que tiveram lugar nos dias 6 e 7 de setembro de 1955, quando uma multidão enfurecida atacou e assaltou as comunidades armênia, grega e judia da cidade. Embora não tenha havido muitos danos pessoais, um grande número de gregos abandonaram as suas casas e foram viver para a vizinha Grécia.

Nos anos 1960, o governo de Adnan Menderes procurou desenvolver o país, promovendo uma série de obras como novas estradas e redes rodoviárias, assim como a construção de fábricas por todo o país. Istambul foi dotada de uma rede viária moderna, mas lamentavelmente isso implicou em alguns casos a demolição de edifícios históricos no interior da cidade. Em 1963 foi assinado o "Acordo de Ancara", o primeiro passo da Turquia em direção à integração no que é atualmente a União Europeia.

A partir dos anos 1970 a população de Istambul aumentou rapidamente, principalmente devido à imigração de pessoas da Anatólia, que demandaram a cidade procurando emprego nas inúmeras fábricas construídas nos arredores. Este repentino aumento da população provocou uma explosão imobiliária, originando um ritmo de construção de edifícios imparável. A má qualidade de construção de muitos dos edifícios contribui para que os frequentes terramotos que assolam Istambul provoquem muitos estragos materiais e baixas — calcula-se que cerca de 40% dos habitantes de Istambul tenham ficado desalojados após o terramoto de Agosto de 1999. O crescimento descontrolado fez com que muitas localidades da periferia fossem completamente absorvidas pela grande metrópole. Os habitantes mais velhos de Istambul ainda recordam como o que atualmente são bairros urbanos, como Maltepe, Kartal, Pendik e outros, eram campos verdes na sua juventude, há cerca de 40 anos. Outras áreas, como Tuzla, mais não eram que pequenas aldeias costeiras.

Geografia



O Bósforo

O Bósforo (em turco: Boğaziçi) é um estreito que divide em duas partes a cidade de Istambul e separa fisicamente a Europa da Ásia, ligando o Mar Negro, a norte, com o Mar de Mármara, a sul, que por sua vez está ligado ao Mar Mediterrâneo pelo estreito de Dardanelos.

Há duas pontes sobre o Bósforo. A Ponte do Bósforo (Boğaziçi Köprüsü) de 1 510 m de comprimento (vão entre os dois pilares: 1 074 m), foi completada em 1973. A segunda ponte, Ponte Fatih Sultão Mehmet tem 1 510 m de comprimento (vão entre os dois pilares: 1 014 m), foi completada em 1988 e se encontra 5 km a norte da primeira. Estas pontes unem a parte europeia de Istambul com o que eram as cidades de Üsküdar (a antiga Crisopólis) e Kadıköy (a antiga Calcedônia), que na segunda metade do século XX se conurbaram com Istambul.

Prevê-se que em 2012 seja inaugurado um túnel ferroviário de 13,5 km, com um troço de 1,4 km debaixo do estreito, construído usando a técnica da imersão de condutas. Prevê-se que será o túnel mais profundo do mundo executado com esse método, pois a parte mais funda vai passar 56 m abaixo do nível da água. O túnel servirá uma linha de metropolitano com quatro estações, que unirá o centro da metrópole com as suas partes oriental e ocidental.

Terremotos

Istambul está situada próximo à falha da Anatólia do Norte, uma falha geologicamente ativa responsável por vários terremotos mortais na história da cidade, tanto no passado como em tempos mais recentes. Os estudos demonstram que há um risco elevado de que nas próximas décadas se produza um terremoto devastador aos arredores de Istambul. É provável que devido às dificuldades para estabelecer e impor normas convenientes de segurança na construção dos edifícios se repita o que aconteceu durante o sismo de agosto de 1999, isto é, que haja um número enorme de desmoronamentos, especialmente nas habitações de menor custo de alvenaria dos gecekondu dos subúrbios.

Clima

As pessoas que visitam Istambul podem esperar verões longos, quentes e úmidos e invernos frios, chuvosos, ocasionalmente com neve que pode ser abundante. Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger o clima da cidade é de tipo mediterrânico. A média de precipitações anuais para Istambul é 870 mm. As temperaturas médias durante os meses de inverno variam entre 3 aos 8 graus Celsius, e inclusive pode baixar aos 5 °C abaixo de zero. Ao contrário da crença comum, as grandes precipitações em forma de neve são comuns, podendo cair entre os meses de novembro a abril. Os meses de verão de junho a setembro têm temperaturas diurnas médias de 28 °C. Apesar do verão ser a temporada mais seca, a chuva é comum e as inundações semelhantes a uma monção acontecem nesta época do ano.

Futebol

É na cidade de Istambul que fica as três maiores equipes da Turquia: O Fenerbahçe, o Galatasaray e o Besiktas.

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