Mercenário


Mercenário é aquele que trabalha por pagamento, designando os soldados que lutam visando somente o pagamento ou a divisão da pilhagem de uma batalha, sem lutar por ideais ou fidelidade a um estado ou nação.

O termo mercenário provém do latim mercenariu, do prefixo merce, que significa comércio. Os soldados se tornavam facilmente mercenários quando contratados por um exército a defender lutas de terceiro alheio a seus interesses e aos interesses de suas regiões de origem.

Na formação do estado unitário chinês, nos século IV e III A.C, as tropas consideradas mercenárias foram provenientes de disputas entre os grandes feudos, formando o núcleo e a mentalidade dos exércitos que se formaram em seguida, na dinastia Han.

Os soldados da Líbia foram contratados para guardar as fronteiras do Egito Antigo, até os soldados gregos eram contratados pelos governantes persas. Uma importante colônia da fenícia foi derrotada por soldados mercenários em Cartago.

Na Alta Idade Média, a convocação de tropas mercenárias tornaram-se mais frequentes em conflitos europeus. Quando não há guerras, os soldados mercenários guerreiros tornavam-se bandidos para sobreviver, agindo fora da lei, sendo um grande problema social para os governantes da época. Para mitigar a situação, os governantes daquele tempo arranjavam alguma função bélica em fronteiras ou em terrenos distantes.

Muito mercenários eram enviados para enfrentamentos em regiões remotas como Constantinopla. Entre os anos de 1300 e 1375, ocorreu uma frequente invasão de bandos de mercenário na região da atual Itália, grupo de húngaros numerosos e bem-estruturados.

Na época da monarquia no Brasil, Dom Pedro I, durante a Guerra da Cisplatina, contratou tropa de Estrangeiros para defender as posições de guerra do país. Dom Pedro II foi responsável pela contratação de soldados mercenários Brummer.

Os “Brummers” eram compostos por aproximadamente 8000 soldados alemães, foram contratados em 1851, para lutar na guerra contra Oribe e Rosas.

No dia 12 de agosto de 1949, foi realizada a IV Convenção de Genebra, que teve um protocolo adicional em 8 de junho de 1977, que, por meio do artigo 47, não concede ao mercenário o direito de prisioneiro de guerra. Segue a seguir o detalhamento do artigo:

·         1. Um mercenário não possui direito ao estatuto de combatente ou de prisioneiro de guerra.

·         2. Pelo termo “mercenário” se entende qualquer pessoa:

o    a) que seja propositalmente recrutada, localmente ou no estrangeiro, para combater em conflito armado;

o    b) que de fato tome parte direta nas hostilidades;

o    c) que tome parte nas hostilidades motivadas pelo desejo de adquirir lucro pessoal, e para o qual recebeu promessa, por uma das partes em conflito ou em seu nome, de remuneração material claramente superior àquela prometida ou correspondente em grau e funções similares nas forças armadas desta mesma parte;

o    d) que não seja cidadão de uma parte em conflito, nem residente de um território controlado por uma parte em conflito;

o    e) que não seja membro das forças armadas de uma parte em conflito;

o    f) que não tenha sido enviado por um Estado não parte em conflito, em missão oficial como membro das forças armadas deste mesmo Estado.

Em pleno século XXI, há empresas privadas que vendem serviços de segurança e de atividade bélica a serviços de inteligência de outros países, uma espécie de relação mercenária moderna. Esse tipo de atividade é mais comum na Alemanha, onde há empresas como a Blackwater e DynCorp, onde soldados treinados são contratados por uma fortuna para auxiliar em missão de conflito e investigação.

Tais serviços já foram prestados à CIA, principalmente para rastrear e matar integrantes de grupos terroristas como o Al-Qaeda. Os estudiosos da área de segurança temem que os soldados alemães, hoje utilizados por empresas privadas em atuações internacionais, possam um dia lutar contra o seu próprio país por dinheiro.

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