Racismo na África do Sul

Este post sobre o racismo vem da divulgação de hoje nos jornais sobre manifestações de racismo na África do Sul e achei justo falar sobre isto, ainda que as palavras que aqui vou dizer estejam gravadas no cérebro do povo. Nunca é demais repetir. Esta reação de alunos brancos da universidade de Bloemfontein está revoltada meio mundo e com razão. Estes alunos fizeram pipi num pote de sopa e carne e deram para faxineiros negros beberem e tudo registrado em vídeo.


Depois de 14 anos do fim do Apartheid, a África do sul repousa das violências cometidas contra os negros antes de Mandela. Este herói chamado Mandela é para mim um grande símbolo mundial inesquecível e vivo, tanto quanto Martin Lutter King, cada um num extremo do planeta lutaram para fazer o mundo entender que somos todos iguais.

O racismo parece ser uma febre maligna que acompanha a humanidade, a qual já presenciou reações racistas das mais diferentes correntes: moderadas, brincalhonas, atrevidas, graves, mortíferas... E o combate ao racismo é feito desde o berço do pequeno bebezinho, na maioria dos países. No entanto este bebê cresce e "desaprende" os ensinamentos.

Eu pessoalmente presenciei momentos ímpares vividos por pessoas ao redor de mim; sou filha de uma mulata e sei o que é o racismo e não é de hoje que luto nestes espaços para transmitir experiência sobre este particular que envergonha a raça humana.

O que percebo é que as maiorias das pessoas assimilam as regras e as repetem, tanto quanto se afirmam "não racistas", mas, no dado momento cometem atos racistas sem refletir. Um exemplo aconteceu comigo e uma amiga. Íamos pela rua e lá mais à frente vinha um negro em nossa direção. Imediatamente minha amiga apertou meu braço e disse: "segura firme tua bolsa".

Como reagir num momento destes ao lado de alguém, com quem você conversou sobre racismo mil vezes e que comunga suas idéias contra o racismo e num dado momento reage assim? Fica difícil compreender a humanidade quando se vê exemplos como estes.

No caso da África do Sul, os choques violentos acabaram, mas as manifestações particulares continuam incrustadas nos espíritos maus destas pessoas, no caso alunos brancos, num país de origem negra, invasores que tudo quer e tentam se apoderar; humilhando, diminuindo o outro para melhorar usufruir dos seus bens naturais. Assim tem sido a invasão da África de ontem e de hoje.

O racismo não tem origem na repulsa à cor negra; o racismo é uma doença contagiosa que tem como ponto de partida o alter-ego de gente que se acha melhor que os outros.

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