Resultados do meu temperamento emocional e afetivo



TEMPERAMENTO

O temperamento diz respeito ao nosso jeito de ser em geral, principalmente relacionado às emoções e ao humor em geral. O temperamento é o produto da combinação dessas emoções básicas e da sua regulação. As principais emoções são o medo, a vontade ou desejo e a raiva. Além desses, há uma função de controle que é independente e que busca a coerência e a adaptação ao meio ambiente. Nessa avaliação do temperamento, são analisados o medo, a vontade, o controle e a raiva, e é descrito o perfil escolhido de padrão de humor, também chamado de temperamento afetivo. Apesar de se poder pensar nas diversas funções mentais separadamente, em geral a mente funciona de maneira integrada. A base do funcionamento mental são as emoções, e como se trata de um sistema coeso e interligado, o humor, o pensamento, o comportamento e a personalidade sofrem grande influência da base emocional ou temperamental. Não há um perfil certo ou errado de temperamento. O grau de cada emoção básica ou o tipo de perfil oferece vantagens e desvantagens que dependem do contexto e das intenções da pessoa. No entanto, algumas características emocionais e de humor são mais comumente associadas a mais vantagens, como medo médio ou baixo, vontade alta e controle alto, enquanto outras costumam trazer mais prejuízos, como raiva alta e controle baixo.







::MEU TEMPERAMENTO EMOCIONAL ::






MEDO

O medo funciona como o freio e como alarme do nosso sistema mental, com o fim de nos proteger dos perigos, identificar problemas e nos precaver de riscos. O medo opera de modo praticamente automático e influencia muito a maneira como percebemos e pensamos o mundo ao nosso redor a toda hora. Por isso, tem grande influência na tomada de decisões e no modo como as pessoas nos vêem. O medo tem um forte componente inato, mas também as experiências negativas, particularmente se forem freqüentes e/ou fortes e nos primeiros anos de vida, tendem a ser incorporadas no jeito de ser. Algumas pessoas têm baixo medo inato, mas o ambiente hostil ou a exposição aos perigos faz com que desenvolvam um grande medo aprendido. Nessas situações, pode haver uma grande ambivalência ou imprevisibilidade em como o medo é vivenciado. O medo relacionado a pessoas (timidez x extroversão) é um pouco diferente do medo geral, mas costumam ter níveis semelhantes, ou pelo menos, não muito distantes. O medo pode ser baixo, médio ou alto. Cada grau tem vantagens e desvantagens, mas as pessoas com o temperamento mais equilibrado e menos sujeito a ter problemas e transtornos mentais têm o medo médio.







Medo médio



A avaliação apontou que o meu nível de medo é médio.

Esse perfil traz como características certo grau de precaução, cautela, prudência, preocupação e ponderação antes de tomar decisões. Em situações de perigo, pode paralisar por alguns momentos, mas depois tende a agir. Em geral, esse grau de medo é o mais equilibrado, porque protege quando tem que proteger, mas não impede a pessoa de aproveitar boas oportunidades. Do ponto de vista social, se o medo também for médio, há uma tendência para inibição inicial, que logo se desfaz, sem atrapalhar a formação de novos vínculos. Apesar de haver alguma preocupação com o que os outros estão pensando a seu respeito, essa preocupação favorece a adequação social. A vantagem do perfil de médio medo é a proteção contra os riscos reais que a vida oferece, sem deixar de identificar as situações que de fato oferecem perigo ou sofrimento potencial. Esse perfil moderadamente conservador e prudente se dá melhor quando o ambiente se apresenta com alguns perigos reais, mas também situações que podem ser aproveitadas. As precauções tomadas protegem das ameaças quando elas ocorrem, mas parte da energia também está disponível para ser investida no sentido da conquista de objetivos. A desvantagem do medo médio ocorre quando o meio está excessivamente perigoso e arriscado ou extremamente seguro. Nas circunstâncias de fato perigosas, talvez o medo médio não seja capaz de identificar a real dimensão dos riscos, favorecendo aqueles que têm medo alto. Por outro lado, nas situações particularmente seguras, parte da energia que poderia ter sido gasta em investimento e conquista é usada em precauções que se revelam pouco úteis. Assim, quem tem medo baixo tende a sair na frente. Do ponto de vista de transtornos psiquiátricos, o medo médio confere proteção para o desenvolvimento tanto de transtornos de ansiedade (ansiedade generalizada, TOC, fobias, fobia social, personalidade dependente e evitativa), como de transtornos de impulsividade (transtorno de explosividade intermitente, transtorno de oposição desafiante) e do uso de drogas de abuso, mas esses transtornos podem ocorrer em função das outras emoções básicas. Como o medo médio é o mais comum em pessoas estáveis, não há muito a ser modificado. Talvez o único trabalho de aperfeiçoamento do temperamento seja aprimorar a capacidade de identificação das situações oportunas que de fato oferecem baixo risco, e soltar mais o pé do freio nessas circunstâncias. Por outro lado, também seria bom poder identificar as situações de alto risco real e significativo para tomar mais precauções ainda. Em outras palavras, o ideal seria tentar adequar a dose certa de medo para cada situação, de modo a torná-lo mais maleável e adaptado. Se as experiências nas situações de vida forem favoráveis, o medo tende a diminuir um pouco, mas, se forem negativas, o medo é reforçado.






VONTADE

Assim como o medo é o freio, a vontade é o acelerador. A vontade nos move para fazer o que tem algum significado afetivo para nós. Quando a vontade é muita, podemos chamá-la de desejo. Não podemos fazer tudo que queremos e, por isso, os desejos têm que ser controlados. Quando os desejos não são realizados, ou acontece algo que não queremos, ficamos frustrados e tristes (queda da vontade), ou com raiva (transformação da vontade), ou tudo isso junto (o controle e a raiva serão avaliados a seguir). É importante entender que a vontade e a raiva são essencialmente a mesma energia de ativação do sistema mental, mas em vibrações diferentes. A vontade é a ativação canalizada e livre para agir, enquanto a raiva é mais caótica e enfrenta algum bloqueio ou barreira. A vontade também pode ser dividida em baixa, média e alta. A vontade está relacionada principalmente com as vantagens, qualidades e benefícios e relativamente pouco associada ao nível de problemas que a pessoa tem com o seu jeito de ser. As pessoas que se percebem com mais benefícios com seu jeito de ser tendem a ter a vontade alta, mas como para as outras emoções, não há perfil que só tenha vantagens e não tenha problemas.







Vontade baixa



A avaliação apontou que o meu nível de vontade é baixo.

Esse perfil traz as características de pessimismo, pouco entusiasmo e prazer nas atividades, pouco interesse por novidades, tendência a desanimar e a desistir dos objetivos, insegurança e indecisão. A falta de ativação mental também pode chegar a afetar a concentração e atenção. As vantagens do perfil de baixa vontade são poucas. A maior vantagem é a tendência a não se envolver nos problemas que o desejo tende a gerar para ser saciado. A vontade baixa dá um tom de pouca esperança e otimismo, o que é adaptativo quando as situações são de fato sem saída ou muito difíceis. Desistir de algo que não tem como dar certo ou nem investir em algo que vai fracassar é bom, mas em geral não há como saber isso de antemão. Outro aspecto favorável da baixa vontade é que esse perfil tende a não inspirar competitividade nos outros. Pelo contrário, muitas vezes tendem a querer ajudar ou botar pra cima quem tem baixa vontade, por perceberem sua modéstia ou auto-estima baixa. No longo prazo, porém, isso pode cansá-los. De modo geral, a baixa vontade deixa a pessoa mais branda (se a raiva não for alta) e, portanto, gera menos atrito quando em grupo, mas as relações sociais também dependem muito de outros fatores. Se o mundo tivesse só pessoas com baixa vontade, menos conquistas teriam sido feitas, mas por outro lado são exatamente essas conquistas e avanços que impõe riscos à humanidade como um todo. Em outras palavras, a ganância é um “efeito colateral” do excesso de desejo e vontade, e quem tem menos desejos está mais protegido disso, ou seja, pode ter certo desapego pelas coisas, que é um dos pilares do budismo. Apesar da baixa vontade até proteger de algumas situações problemáticas, o maior impacto vem da falta de benefícios e vantagens associado a esse perfil. Principalmente na sociedade atual, a motivação, a proatividade, a competitividade e a auto-estima são muito valorizadas, talvez até demais. Assim a deficiência de vontade faz com que haja pouca energia para investir em novas situações, buscar ativamente oportunidades e aproveitar o que tem, já que a sensação de prazer tende a ser mais baixa. A insegurança e a indecisão podem fazer com que se deixe de aproveitar boas oportunidades. Esse perfil tem baixa competitividade em geral e, portanto, se adaptam melhor em situações com poucos desafios ou mais rotineiros. Do ponto de vista de transtornos psiquiátricos, a vontade baixa aumenta o risco de se desenvolver sintomas depressivos, de fobia social e de desatenção. Para muitas pessoas a vontade não é exatamente baixa, mas é muito instável (geralmente nesses casos a raiva é média ou alta e/ou o controle é baixo). Isso gera instabilidade de humor, já que a vontade é o alicerce do humor, e essa oscilação afeta a auto-estima, a confiança e o crédito pessoal. A vontade baixa pode proteger do desenvolvimento de transtornos relacionados a excessos comportamentais em compras, jogo e drogas de abuso, mas principalmente se a raiva for baixa e o controle for alto (ver a seguir). Alguns podem usar drogas buscando o aumento de estímulos para suprir sua deficiência de vontade. A lapidação desse temperamento exige, pelo menos inicialmente, vencer a resistência interna e remar contra a maré. À medida que algumas conquistas são atingidas, pode se criar um círculo virtuoso que gera mais vontade e iniciativa. Mas é preciso buscar pontos de apoio que ajudem a não desistir frente aos primeiros obstáculos. Às vezes uma boa estratégia é tentar fazer parte de um grupo que opere coordenadamente e que sirva como estímulo para manter a atividade. Para algumas pessoas, passar a fazer atividades mais competitivas ou agressivas (por exemplo, um tipo de luta), pode aumentar a vontade.




CONTROLE

O controle é a capacidade de realizar as tarefas relacionadas ao dever. O controle entra em ação para agirmos quando não temos vontade e para limitar as ações impulsionadas pelo desejo. A capacidade de controlar a ativação mental faz com que ela seja expressa mais na forma de vontade do que de raiva, e ajuda a tolerar as frustrações. Dessa forma, o controle exerce uma grande função de regulação emocional. O controle confere a capacidade de se organizar e se concentrar nas tarefas, mesmo nas situações mais tediosas. O controle também está associado à harmonia social e a cooperatividade, que requerem funções mentais elevadas, como perceber o que é melhor para o grupo e como os outros estão se sentindo nas diversas situações. O senso de dever tende a favorecer o outro ou o grupo em detrimento de si, e assim aumenta a cooperatividade entre os indivíduos. Por essas razões, em geral o controle está associado a vantagens e a falta de controle tende a gerar problemas.






Controle baixo



A avaliação apontou que o meu nível de controle é baixo.

Esse perfil traz as características de pouca concentração, foco, atenção, disciplina, organização, responsabilidade e conclusão de tarefas, principalmente as mais longas e entediantes. São poucas as vantagens do controle baixo. Em algumas circunstâncias pode ser vantajoso agir de modo menos padronizado ou “certinho”, passando uma sensação de desprendimento e independência de algumas regras sociais. Quando as tarefas relacionadas ao dever, como prazos e horários, são pouco necessárias ou valorizadas no contexto, o controle baixo gera menos problemas. Em algumas situações, o controle baixo pode ser vantajoso por favorecer um tipo de pensamento mais original ou inusitado, que pode ser desenvolvido e colocado em prática por pessoas com mais controle, ou pela própria pessoa se for em uma área em que goste de atuar. A falta de controle tende a gerar desvantagens e problemas particularmente quando há muitos deveres a serem cumpridos. Isso pode se manifestar já nos primeiros anos de escola, e apesar de geralmente haver uma melhora no começo da idade adulta, ainda pode ser um entrave para o crescimento pessoal e profissional em ambientes mais rígidos e exigentes. A deficiência de controle seguidamente acompanha alguma instabilidade de humor e a falta de direcionamento sobre o que deve ser feito, como e quando. Essa característica faz com que se deixe tudo para a última hora, e muitas vezes o tempo que resta não é suficiente para fazer a tarefa bem feita. Em um grupo social, a falta de atenção e capacidade de perceber sutilezas dos outros faz com que alguns atos sejam considerados “sem noção”. Ao perceberem a razão do erro foi não se dar conta do que fez ou do que deveria ter feito, são mais facilmente perdoados, mas no longo prazo isso costuma cansar os que convivem com quem tem baixo controle. Com o tempo, cai o crédito pessoal perante os outros, podendo gerar prejuízos pessoais e sociais. Em casos mais extremos, o baixo controle provoca comportamentos opositivos por não perceber o que deve ser feito ou não conseguir levar em conta a vontade do outro ou do grupo. Isso acontece particularmente quando o medo é baixo e a raiva, alta. O medo médio, a vontade alta e a raiva baixa atenuam as conseqüências do controle baixo. Do ponto de vista de transtornos psiquiátricos, o baixo controle aumenta o risco de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno opositivo desafiador, ciclotimia ou instabilidade de humor (bipolaridade), abuso de drogas e transtorno de explosividade intermitente. O controle baixo pode proteger do desenvolvimento de alguns tipos de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e da anorexia nervosa. A lapidação desse temperamento não é fácil, e muitas vezes o que funciona é usar estratégias que compensem a falta de controle. Uma das saídas é buscar fazer o que gosta, ou seja, não ter que depender muito do senso de dever para produzir. Atividades mais dinâmicas podem atrair mais a atenção. Quanto à organização, uma boa estratégia é poder se associar com alguém que naturalmente seja mais disciplinado e ajude a monitorar o que tem que ser feito. Outra possibilidade é fazer um esforço para usar agendas e lembretes que ajudem a cumprir os compromissos. De modo geral, é melhor buscar atividades com maior flexibilidade em relação a regras, horários e prazos.




RAIVA

A raiva é o produto dos desejos e vontades não realizados. A vontade (ou desejo) e a raiva são expressões diferentes da uma mesma força de ativação mental. A raiva surge quando algo acontece contra a nossa vontade. Algumas vezes ela emerge em função de algo que não queríamos que acontecesse, como por exemplo, quando nos roubam ou furam a fila na nossa frente. Outras vezes, é quando queremos muito que algo aconteça e há um bloqueio, como quando o nosso time erra um pênalti ou quando queremos chegar a algum lugar e o trânsito nos impede. A ativação mental, quando se manifesta sem bloqueios e é canalizada a um objetivo, é a própria vontade. Quando é barrada ou está caótica, é raiva. A raiva também pode ser canalizada exatamente contra a barreira que se opõem à vontade com o objetivo de destruí-la ou dominá-la. Mas nem sempre isso pode ser feito. A raiva é, entre as emoções básicas, a maior geradora de problemas. Ela corrói por dentro e por fora. No longo prazo, faz o raivoso desgastar seus pontos de apoio e seus vínculos, deixando-o só e sem suporte. E como a arrogância e desconfiança fazem parte da raiva, a culpa costuma ser dos outros. O lado bom da raiva é a força para conquistar posições mais altas hierarquicamente e para se defender de agressores. Uma das principais funções da raiva é justamente tentar remover o que bloqueia a realização da vontade e dos objetivos. Infelizmente, muitas vezes a raiva gera outra reação oposta também forte, já que ninguém gosta de lidar com a raiva alheia. Como é uma emoção quente e desmedida, facilmente sai do controle e pode atingir níveis muito perigosos, principalmente com medo e controle baixos. Assim como para as outras emoções básicas, algumas pessoas têm uma tendência maior a sentir raiva, ou seja, ela determina características do temperamento. As pessoas mais equilibradas e estáveis têm como marca a baixa raiva. A arte em relação à raiva está em expressá-la nos contextos adequados, com intensidade proporcional ao fato e de modo que facilite a busca de soluções dos embates.







Raiva alta



A avaliação apontou que o meu nível de raiva é alto.

Esse perfil traz as características de irritabilidade, explosividade, impaciência, agressividade, e muitas vezes de desconfiança e propensão a ser rancoroso e vingativo. Do ponto de vista social, a pessoa com alta raiva é comumente percebida como intolerante e dominadora. A vantagem do perfil de alta raiva é a força em situações em que se é desafiado ou agredido, o que protege o próprio território. Em outras circunstâncias, a raiva favorece a conquista de novos territórios. Mas essa capacidade de defesa e ataque muitas vezes produz outras perdas e também coloca o indivíduo em situações de risco e desadaptação social. A raiva alta também está associada com algum grau de desconfiança, que por um lado identifica precocemente quem pode lhe prejudicar, mas muitas vezes identifica como inimigo ou trata mal alguém que não lhe quer mal. Em outras palavras, a desconfiança alta protege, mas também isola o indivíduo. As desvantagens da raiva alta ocorrem quando ela é mal aplicada, seja pela intensidade desproporcional, seja pela frequência ou situação em que se manifesta. No longo prazo, os efeitos da raiva alta podem ser devastadores, principalmente nas relações afetivas e sociais. A reação de raiva deixa as pessoas em torno inicialmente assustadas, e com a repetição, traumatizadas. Assim, a tendência é o afastamento dessas pessoas ou a perda da naturalidade nas relações. Quando se trata da relação com outro raivoso, a consequência é o surgimento de discussões, desacertos e brigas. Como a intensidade tende a ser alta, e ambos tendem a ser orgulhosos, rancorosos e vingativos, às vezes basta uma desavença para rachar a relação de modo irreparável ou gerar uma escalada de agressões. A raiva também está associada à forte combatividade, e é a base da inveja. As pessoas de raiva alta tendem a ver o mundo em um formato tudo-ou-nada ou 8 ou 80. Essa padrão de pensamento também se manifesta ao rotular pessoas ou situações de maneira dramática e instantânea. Como muitas coisas são contínuas e graduais, isso faz com que o raivoso saia de sintonia com o ambiente ou com a visão da maioria. Do ponto de vista de transtornos psiquiátricos, a raiva alta favorece o desenvolvimento de transtorno de humor bipolar, transtorno de explosividade intermitente, bulimia, os transtornos de personalidade borderline, narcisista, histriônico, antisocial e paranóide, transtornos de impulso, como excessos comportamentais (compras, jogo, direção agressiva) e abuso de drogas, inclusive cigarro. Entre os fumantes, os raivosos tendem a fumar mais cigarros por dia. O trabalho de aperfeiçoamento do temperamento com alta raiva não é fácil, mas é muito importante. O ideal é conseguir transformar a energia de ativação da raiva, que destrói mais do que constrói, em vontade, que constrói mais do que destrói. O caminho para se conseguir isso é canalizar a energia a um objetivo e aumentar a capacidade de controle. As perguntas a serem feitas são “o que está bloqueando a realização dos meus desejos ou a conquista dos meus objetivos” ou “o que está acontecendo contra a minha vontade”? Uma vez identificados os bloqueios, o ideal é fazer um plano de ação bem pensado, com alternativas e flexibilidade para resolver as questões. A canalização da energia pode se dar tanto em mudanças no tipo de atividade que exerce ou em fazer algum hobby, que pode ser um esporte, atividade física aeróbica ou uma atividade artística. Assim, a energia represada vai fluindo de maneira produtiva, reduzindo a pressão interna. No plano mental, a maneira de atenuar a raiva é monitorar os pensamentos extremados, do tipo tudo-ou-nada, e buscar a ponderação em cada situação. A inclusão de uma opção “mais ou menos” ou “neutro” na hora de avaliar os eventos já enriquece e aperfeiçoa muito o padrão mental do raivoso. Outro aspecto importante a ser desenvolvido é a capacidade de remendar os estragos feitos pela raiva. Isso se consegue com o aumento da comunicação com as pessoas, particularmente em uma posição de “guarda baixa”, que favorece o pedido genuíno de desculpas. Muitas vezes o raivoso se arrepende do que fez, mas o orgulho não deixa reparar os danos. Portanto, reduzir o orgulho, pedir desculpas e valorizar o outro é um caminho que diminui o impacto negativo da raiva.





TEMPERAMENTO AFETIVO

Temperamento Depressivo

O temperamento depressivo geralmente envolve uma combinação em que a vontade é baixa e o medo é alto, mas um dos dois pode ser médio. O controle e a raiva costumam ser médios, mas não são os componentes mais importantes do temperamento depressivo.



A mente funciona de forma semelhante a um carro, com acelerador e freio independentes. A vontade é como se fosse o acelerador e o medo é o freio. A velocidade final do carro seria o padrão de humor ou temperamento afetivo. Assim, no temperamento depressivo o acelerador é pouco potente e o freio é exagerado, portanto a velocidade final e o humor ficam em um nível baixo.



O temperamento depressivo apresenta as características de tendência à melancolia, pessimismo, baixa energia, falta de vontade, pouca iniciativa, predisposição à submissão frente a temperamentos mais fortes ou em um grupo, subserviência, insegurança, auto-estima baixa ou instável, baixa perseverança quando encontra obstáculos, timidez, cautela, preocupação alta, baixa concentração e atenção, pouca ambição, tendência a pensar no passado, a falar pouco e a se isolar.



As pessoas com esse perfil percebem que seu temperamento está associado a problemas de grau moderado a alto, mas, além disso, percebem poucas vantagens e poucos benefícios no seu jeito de ser. De fato, em uma sociedade que cada vez exige mais iniciativa e proatividade, pelo menos nas questões relacionadas a trabalho, o temperamento depressivo fica em descompasso. Por isso, os trabalhos que mais se ajustam ao temperamento depressivo são de baixa intensidade, com poucas novidades e baixo nível de desafios. Muitas pessoas de temperamento depressivo têm uma natureza servil e dedicada que é muito adaptativa para trabalhos sociais, e podem ser muito produtivas, principalmente se o controle for alto.



No plano intelectual, o temperamento depressivo se destaca pela capacidade de ver a realidade como ela é. A maioria das pessoas tem uma percepção do mundo como sendo melhor e mais bonito do que é, e essa característica ajuda o humor a ficar mais alto. Vários estudos psicológicos já mostraram que os depressivos fazem avaliações e projeções de situações com mais precisão e maior índice de acerto. A auto-estima mais baixa em relação aos outros faz com que não supervalorize sua capacidade, ou seja, não pratica o auto-engano e por isso não costuma errar por excesso. Quando erra, é por falta. A tendência depressiva facilita a desistência quando os sinais da situação são adversos. Por isso, o depressivo se preocupa muito mais em não perder do que em ganhar. Por ter aversão a riscos, a sua natureza leva maior vantagem quando o ambiente está por entrar em crise, porque o depressivo é o mais cauteloso e mais rapidamente recua quando alguma coisa começa a dar errado. E é o último a voltar a investir depois de passada a crise.



Esse perfil também faz com que o nível de criatividade e transcendência sejam mais baixos, já que têm a ver com um mundo da idealização, da fantasia, do futuro e de abertura para o novo, que são todas características pouco expressas em depressivos. Por isso, se conformam bem à realidade e podem ser bons executorres operando no mundo real.



Nas relações, o depressivo pode ter dificuldade em estabelecer vínculos afetivos, mas depois que o faz, tendem a ser duradouros. Esse é um perfil de muitas pessoas muito devotadas, cuidadosas e dedicadas ao outro. O que pode atrapalhar é a auto-estima baixa fazendo com que fique constantemente duvidando que o outro perceba algo de valor na sua pessoa. Outro aspecto que pode atrapalhar as relações do depressivo é se o seu nível de raiva for alto. Essa combinação faz com que sejam pessoas muito pesadas, particularmente negativas e pessimistas de uma forma que contamina o ambiente, em geral na forma de reclamações. Assim, o controle alto e a raiva baixa são características que atenuam os aspectos negativos do temperamento depressivo.



Como é um temperamento que costuma ter mais problemas do que vantagens, é importante buscar maneiras de atenuar os traços mais disfuncionais desse temperamento se a pessoa não estiver bem adaptada ao seu ambiente e ao seu círculo social. Psicoterapia e psicofármacos podem ser úteis para aumentar a vontade e a confiança, mas é muito importante tomar consciência de que será necessário esforço e dedicação para atenuar os traços mais negativos. Os pensamentos mais pessimistas devem ser questionados e colocados à prova. Na dúvida, devem ser testados e os resultados desses testes devem ser levados à sério e de forma direta. Por exemplo, se um trabalho feito foi elogiado, é porque deve ter sido bem feito, e não por alguma outra razão escondida ou misteriosa. À medida que os resultados positivos são levados em conta, pequenas mudanças de postura e de comportamento podem ser adotadas, que por sua vez direcionam a outros resultados mais positivos.

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