Teologia

A Teologia é o estudo sobre Deus através de sua revelação, uma vez que não o vemos nem podemos tocá-lo, assim é necessário chegar ao seu conhecimento por intermédio da Bíblia, no Cristianismo, ou de outros livros sagrados, nos mais diferentes cultos religiosos. Esta expressão vem do grego theos, Deus, e logos, palavra, estudo – o estudo sobre Deus. O filósofo Platão, em seu livro ‘A República’, foi o primeiro a utilizar esta palavra, ao tentar perscrutar a natureza divina através da razão. Aristóteles, em sua obra ‘Metafísica’, afirma que este ramo do conhecimento – a ciência do ser como ser, ou seja, a Metafísica – é responsável pela pesquisa sobre o Divino. Assim, este campo da Filosofia é sinônimo de Teologia para Aristóteles.


Atualmente, porém, seu significado é diferente do aristotélico, como revelado acima. Parte-se de um livro sagrado para tentar racionalizar o Ser Sagrado. Cabe, pois, à Teologia, modernizar as informações disponíveis sobre Deus, ou seja, traduzi-las para o contexto atual, segundo o momento histórico em que vivemos. Percebe-se, portanto, o seu aspecto temporário, já que vai mudando conforme avançam a história, a cultura e as preocupações humanas. Esta face da teologia cristã é muitas vezes desprezada pela Igreja, com seus dogmas e concepções fora do tempo, seu discurso conservador. Esta instituição manteve muitas vezes o pensamento fixo em teorias e filosofias e distanciou-se do movimento histórico e da dinâmica social. Isto ocorreu porque o clero se manteve sintonizado com a metafísica clássica e suas idéias desvinculadas de qualquer traço de modernidade e de historicidade. Como conseqüência deste pensamento a-histórico, os ensinamentos bíblicos foram considerados como universos à parte dos mecanismos temporais e da realidade humana.

Assim entendida, a Teologia criou um mundo transcendental, que não interfere na vida do homem nem é por ela influenciada. A Metafísica foi intensamente criticada a partir dos tempos modernos. Percebeu-se, com o tempo, que a história tem um papel predominante na jornada humana e que o homem caminha, criando culturas renovadas e transformando conceitos. Nada se encontra cristalizado, como a princípio se pensava. Aos poucos, então, esta visão metafísica foi cedendo espaço para um ponto de vista imanente à realidade histórica. Isto significa um encontro do homem com a Divindade evoluindo ao longo do tempo, conforme se modificam suas concepções, pontos de vista, parâmetros culturais e diretrizes temporais. Esta interação do ser humano com Deus torna-se então relativo, pois muda de um sujeito para o outro, de uma comunidade para a outra. O Ser Divino passa a revelar-se ao Homem através de múltiplas formas, conforme a maneira do indivíduo se relacionar com Deus.

Historicamente, a Teologia evoluiu de Santo Agostinho e sua concepção de teologia natural, passando por Leibniz e sua ‘Teodicéia’, hoje usada como equivalente à expressão agostiniana, tradição que imprimiu suas marcas no Cristianismo, que atualmente entrelaça as informações contidas na Revelação, dados que se encontram na esfera da Teologia Sistemática ou Dogmática, à experiência humana. A Teologia Cristã alicerça-se na reflexão sobre a fé através de três pilares – a teologia sistemática, a teologia bíblica e a teologia prática ou pastoral.

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